ATer. Empresa de Internet Especializada na criação de sites.: Executivo analisa a estratégia de marketing

Tales Rocha, Country Internet Manager da Philips do Brasil, analisa o impacto do Second Life nas estratégias de marketing das empresas.

O que leva as empresas a investirem em algo tão inovador como o Second Life? Certamente, a motivação principal é gerar negócios – mas é preciso encarar o metaverso como um poderoso instrumento de relacionamento, e, claro, cuidar para que este espaço realmente seja percebido como tal pelos usuários.

Tales Rocha, Country Internet Manager da Philips do Brasil, está envolvido com este desafio, e analisa para JumpExec quais são os pontos principais para tornar o metaverso uma ferramenta de marketing e relacionamento realmente eficaz:

Second Life como captador de necessidades e tendências, através de idéias e conceitos.
As empresas perceberam que lançar produtos sem um profundo conhecimento das necessidades dos consumidores é um risco muito grande. A Philips tem essa premissa na essência de seu posicionamento de marca e sempre contou com inúmeras pesquisas de mercado para capturar essas tendências e para entender os hábitos de consumo.

Hoje, além dos mecanismos tradicionais, temos o Second Life, que nos ajuda a perceber quais são essas necessidades e tendências. O Second Life oferece para a Philips a oportunidade de entender como se atribuir valor a algo de valor intangível. Ao criar valor nesse mundo virtual, nós podemos transferi-lo para a economia material. Peguemos como exemplo o design.  No mundo material, o design é integrado na proposta total que inclui não apenas o produto, mas também a loja onde ele é comercializado, o marketing e a comunicação que o envolvem, entre outros fatores. Dessa forma, é muito mais difícil extrapolar o valor de uma idéia.No Second Life, as únicas coisas que existem são as idéias e a estética dos conceitos, portanto, nós podemos realmente descobrir o valor do design, por exemplo.

Second Life como parte do mix de comunicação de uma empresa.
O Second Life é útil para a comunicação de uma empresa de inúmeras formas. Pode ser, por exemplo, mais um canal para informar uma comunidade em constante crescimento sobre uma determinada ação dessa empresa, pode ser o meio perfeito para uma determinada simulação de alguma atividade que essa empresa já desenvolve no mundo material, pode ser ainda o palco para uma ação global, anúncios…

Seja o qual for a iniciativa, por se tratar de comunicação, primeiro devemos considerar se o que essa empresa deseja comunicar encontra, no Second Life, o receptor ideal para a mensagem pretendida. De qualquer forma, faz total sentido considerar o Second Life uma alternativa complementar ao mix de comunicação, seja na área de marketing e até mesmo na comunicação corporativa das empresas. Não podemos esquecer que  há jornais lá dentro, há jornalistas lá dentro e, sobretudo, uma enorme comunidade de formadores de opinião de profissões e naturezas distintas. O mais importante, para mim, entretanto, é que o Second é em 3D, um metauniverso, e a questão do deslocamento é também colocada de lado, abrindo ainda mais as possibilidades de se extrapolar o valor de uma idéia.

Second Life é muito além do que ter seu espaço no jogo.
Marcar presença apenas não faz sentido. Isso é, guardadas as devidas proporções, como montar um site na Web quando houve o boom da Internet.Muita gente simplesmente marcou presença na Internet com um site sem nenhum atrativo ou funcionalidade, como se fosse mesmo páginas amarelas. Uma loja lá dentro para comercializar produtos que atendam às necessidades dos avatares, ou mesmo das pessoas por trás desses avatares, pode ser uma saída, desde que atribua novos valores na relação com o consumidor.  A web ganhou sua característica de catálogo e hoje há uma tendência natural das pessoas replicarem este modelo, inclusive no Second Life.

Na minha percepção, temos de ter em mente que o Second Life tem relação com o que se discute de Web 3.0, especialmente porque extrapola a questão das experiências colaborativas (diálogo, engajamento, comunidades e inovações).Quem souber explorar esses recursos, e os adicionais que precisam ser descobertos, quem souber criar valores, certamente estará mais próximo de uma utilização segura do SL como ferramenta de marketing. No caso da Philips, o Second Life é uma ferramenta de marketing segura porque nos permite conhecer os consumidores e apostar na co-criação.

Como mensurar resultados no Second Life?
As ferramentas de métricas tradicionais para a Internet nos oferecem recursos ilimitados de cruzamentos de dados. Contudo, no Second Life as medições seguem um critério mais “corpo-a-corpo”. Não podemos esquecer que cada avatar é “controlado” por uma pessoa de verdade, que está atrás de um teclado e de uma tela comandando tudo, em tempo real. A interação é a palavra-chave. Creio que a questão do tráfego e a do tempo dedicados ganham novos valores. Tudo dependerá, entretanto, de que tipo de resultado se pretende mensurar: pode ser publicidade, vendas ou a viralidade de um conceito qualquer, para citar alguns exemplos.

Em uma festa de reveillon realizada pela Philips no Second Life em 1ª de janeiro de 2007, na virada de 31 para 1º, tivemos cerca de 1000 avatares presentes em nossa área, distribuímos mais de 600 camisetas Philips, pulseiras, fogos de artifício e até sandálias… Até hoje há avatares circulando no Second Life com a camiseta da Philips. O resultado dentro do Second Life foi fácil de medir, mas temos ainda o retorno de mídia dessa ação, a curiosidade que foi despertada e mais uma série de desdobramentos cujos valores são ainda muito difíceis de avaliar. Não podemos esquecer que valor de uma informação de caráter espontâneo e de um anúncio partem de naturezas distintas. Você sempre terá como mensurar quanto vale um anúncio em tamanho, circulação e canais de distribuição – mesmo no Second Life. Contudo, uma informação creditada por terceiros, espontaneamente ou mesmo sugerida, não segue assa mesma lógica. Eu, por exemplo, nunca vi um anúncio sobre o Second Life, mas já vi muita gente falando a respeito.
Pensar no futuro do Second Life.
Embora o Second Life seja um novo fenômeno, percebo que mesmo assim estamos longe de abandonar o debate da convergência. Neste caso, a convergência deve ser assimilada à experimentação. Vejo que o Second Life permite a venda de terrenos (áreas virtuais), a exploração pelas empresas, o comércio eletrônico mas, acima de tudo, permite ainda que muitas idéias sejam agregadas.  Imagino que tecnologias de trocas de odores, sabores podem encontar o seu espaço. A Philips já tem o AmbX, que simula brisas, vibrações…  Portanto, há ainda um universo gigantesco a ser explorado.

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